O Rio São Francisco

Folclore

Bacamarteiros

De origem e tradição sertaneja, os Bacamarteiros, em apresentação simbólica, evocam e representam as guerras acontecidas no passado. Os grupos são formados por atiradores de bacamarte e divididos em tropas sob o comando do Sargento e, acompanhados por zabumbas e bandas de pífano, realizam coreografias detonando grandes cargas de pólvora seca em homenagem aos santos padroeiros.

Os Bacamarteiros usam trajes típicos, roupas de zuarte, chapéus de couro, alpercatas e cartucheiras de flandre e fabricam suas próprias armas e a pólvora usada nas apresentações. Nos efeitos mágicos dos estampidos dos bacamartes reafirmam seus grandes feitos heróicos em refregas e escaramuças de antigas guerras.

Reisado

Ato popular profano-religioso, formado por grupos de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas batendo de porta em porta para anunciar a chegada do Messias e pedir donativos. É representado no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, em louvor aos três Reis Magos.

Existem muitas variações de Reisado, como Guerreiros, Folias do Rei e Boi de Reis. Os cânticos são acompanhados por sanfona, pandeiro, viola ou rabeca. Personagens como Rei, Rainha, Mestre, Contra-Mestre e Palhaços participam das apresentações, que muitas vezes incluem a Farsa do Boi.

Cavalhada

Folguedo popular inspirado nas lutas de cristãos contra mouros, originário da Península Ibérica e trazido ao Nordeste brasileiro pelos colonizadores portugueses.

A Cavalhada é composta por doze cavaleiros divididos em duas equipes, identificadas pelas cores vermelha e azul. Os cavaleiros disputam a retirada de uma argola suspensa no ar, em provas saudadas com aplausos, encerrando a festa com trocas simbólicas e confraternização popular.

Chegança ou Marujada

Bailado popular que retrata feitos náuticos lusitanos, apresentado como auto popular que simboliza a conversão do infiel à religião católica. Os personagens, caracterizados como marinheiros, entoam hinos e glosas populares ao som de pandeiros e castanholas.

No seu lado profano e satírico, a Chegança envolve a plateia em brincadeiras e folguedos, marcados pelo exibicionismo dos personagens jocosos.

Pastoril

Auto popular em homenagem ao nascimento de Jesus. As pastoras formam dois cordões, azul e encarnado, separados pela Diana, personagem central que simboliza o equilíbrio entre os grupos. A apresentação ocorre em tablados decorados com bandeirolas, sendo marcada pela participação intensa do público, que manifesta sua preferência por um dos cordões.

Dança do Coco

O Coco de Rodas é originário do litoral nordestino. A dança ocorre em círculo, com pares que sapateiam ao ritmo marcado pelo tirador e pelo ganzá. Os dançarinos trocam umbigadas e mantêm o ritmo vigoroso, muitas vezes dançando até o amanhecer. Também é conhecido como Roda de Samba do Coco.

Ciranda

Dança popular surgida no litoral nordestino, reunindo homens, mulheres e crianças em uma roda ondulante, marcada pela batida do bombo ou zabumba. Um Mestre Cirandeiro conduz a festa, improvisando versos e cantigas que acompanham o ritmo cadenciado dos passos.

Cangaceiros

Grupo folclórico que representa os costumes e práticas dos bandos de cangaceiros do Sertão nordestino durante o Ciclo do Cangaço, tendo Lampião e Maria Bonita como personagens centrais. Com roupas típicas, chapéus de couro e alpercatas, o grupo apresenta coreografias que simulam escaramuças, acompanhadas por bandas de pífano, dançando xaxado e baião.

Bandas de Pífano

Presentes principalmente nas cidades ribeirinhas do Rio São Francisco, as Bandas de Pífano se apresentam em festas religiosas e populares. Formadas por tocadores de pífano acompanhados de zabumba e caixa, suas melodias simples e espontâneas transmitem emoção e espiritualidade.

Forró

Ritmo de origem nordestina, cuja etimologia é atribuída tanto à expressão inglesa For All quanto ao termo popular forrobodó, associado a festa e celebração. O forró consolidou-se como uma das principais manifestações musicais do Nordeste brasileiro.

Frevo

Ritmo característico do carnaval pernambucano, resultado da mistura de influências como maxixe, polca e dobrado, marcado pelo uso intenso de metais. A dança do frevo, chamada de passo, exige agilidade e liberdade criativa, transformando o carnaval em um espetáculo de projeção internacional.

Congada

Auto de origem africana que representa a coroação dos reis do Congo, adaptado à tradição da monarquia portuguesa. Por meio de cantos e danças acompanhados por instrumentos de percussão, a Congada narra feitos, lutas e celebrações do povo congolês.

Caboclinhos

Um dos mais antigos bailados populares do Brasil, de forte influência indígena, com dançarinos trajando cocares, tangas e empunhando arco e flecha. Suas coreografias representam a caça, a colheita, as batalhas e as vitórias do povo indígena.

Mamulengos

Teatro popular de bonecos com origem no catolicismo alegórico medieval, apresentado em festas populares urbanas e rurais. No Nordeste, destaca-se a presença de personagens negros, com o herói Negro Benedito e o vilão Mané Redondo, em peças geralmente improvisadas.

Quadrilha

Folguedo típico das festas juninas, inspirado nos bailes aristocráticos europeus, dançado em pares e conduzido por um marcador. A apresentação inclui a encenação do casamento matuto, repleta de humor e interação com o público.

Rodas de São Gonçalo

Dança tradicional realizada durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário, envolvendo moças vestidas de branco em cortejos e rodas coreografadas. A manifestação apresenta variações entre os estados do Nordeste, mantendo elementos litúrgicos e populares.

Vaquejada

Festa tradicional do Ciclo do Gado nordestino, originada das práticas do campeio. Consiste na derrubada do boi em corrida, reunindo vaqueiros e grande público em parques especializados.

Repentistas

Conhecidos também como violeiros, os repentistas são admirados pela habilidade de compor versos improvisados. Apresentam-se sozinhos ou em duplas, participando de desafios e festivais que valorizam a tradição oral nordestina.